Gençá


Gençá, Gençana, Jançá.
Gentiana lutea.

Tem muitos usos, para baixar a febre, para cicatrizar feridas, e sandar maçaduras, para a pulmonia, contra a dor de moas.

Para rebaixar o sangue.
O sangue pode-se pôr junto, gordo, espesso.
Pode haver um excesso de força dentro.
É necessário diminuir o fervom. Compre, é preciso, emagrecer.

Esse excesso de força, sobretudo quando a Primavera chega de socate, e agroma tudo dum dia para outro, pode fazer mal.
Deve-se coutar dalgum jeito.
Os patrões tomam jançá, dizem que assi põem tudo no seu lugar.
Algum velho chegou-me a dizer que coa jançá nom se lhe empinava, e era isso o que queria, que tanto envergalhamento à gente do seu tempo nom lhe era bom.
Nos altos onde se dá a jançã, a Prima-vera tem que vir dum dia para outro, pois pola Santa Cruz de Maio ainda neva, e tem que correr, em quatro meses deve laborar o que noutros lado trabalha em seis ou mais.
E tenho vivido, dias concretos, nos que vem umha baixa presom, e gentes e animais a sangrarem polos focinhos, como um andaço.
E os animais, as vacas dizem que é bom sangrá-las. Se nom se fai, pode ser que nom emprenhem, que se passem de força e comecem a desfazer os valos e a berrar como bois, que se ponham machorras.
A jançá dá-se-lhes às ruminantes seca e machucada para remoerem se por algumha causa estám empachadas, e para emprenharem.

Aqui há um vestígio dum entendimento total da Natureza.
Nom se parte em cachos, como até agora talha, ou como segue a talhar a Ciência com letras maiúsculas.
E a mesma Natureza dá o remédio, deixa medrar a planta curativa, na zona que se precisa.
E nessa zona determinada a gençá é planta de muito poder e valor.

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