Tralhão

Tralhão
Não aparece nos dicionários, o seu significado é coágulo, ou grande coágulo, por vezes coágulo qualquer.
Tralhar sim aparece dicionariada, com a ideia de coagular, coalhar, cortar-se o leite.
Os coágulos podem ser tralhos, ou sendo do tamanho que forem tralhões.

"A vaca dá tralhões no leite".


http://img.timeinc.net/time/photoessays/2007/village/village_cow.jpg

Joecer

Estamos falando de uma planta que desde que chegou, não mudo em nada.
"Está-che assi desde o primeiro dia. Nem medra, nem nada".
E retruca-me:
"Nem medra, nem joece".

Nunca tal ouvira.
E buso joecer, e vem sendo o mesmo que medrar, crescer, progressar, florescer...




Na etimologia de joecer, D. Eligio Rivas associa-a esta palavra com o provençal antigo jauzir, que é gozar, desfrutar, com raiz no latim gaudere...
Mas houvo um verbo velho que foi geno no latim, que depois variou em gigno, e finalmente em genero, (generare)...
Do mesmo jeito que florescer, floresco, nasce de floreo + esco:
Joecer, nasceria de geno + esco : *genoesco. Com um infinitivo *genoescere, que teria uns passos intermédios: *geoescer, *joescer, e no atual usado joecer.

Não acho relação clara direta entre o gaudire e o medrar.

Lôghobra

Lôbrega...
Lôgobra...
Di o home que a cozinha já tem lôghobra.
Aquele home que foi neno de lareiras, e logo depois de cozinhas de lenha ou serrim; nas que havia que aghardar a que as brasas dessem calor, tivessem força, tivessem lôbrega...

Agora é a vitrocerâmica, dá-lhe à roda e agharda, a placa vira roja...
A cozinha tem lôghobra...
E coze a lume manso, como nos tempos dantes, como nom pudo cozinhar co butano...


Apenas acho nos dicionários lobrigar, que é ver ao longe, ver confusamente...
E lúbrigo: que é um lôstrego, um alustre, um relampo...
Lubricám, clareira matutina, abrente do dia...



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Seja como for , no fundo está o latim de lucubrum, lucerna, candea?
Ou está lubre?
Ou lux prega?
Ajoelho-me e sopro, em prega a Lugh.



Tsacianiegas



Estas femas, mucheres, que tan bien canten, son tsacianiegas.
Préstame muitu el sou xeitu.
Las lletras de las súas canciones populares, son una fonti de sensaciones moldeadas en palabras.
Al escuitalas, estou sentindo dalgu que va más atsá...
Una continuidá del tou-porrou-tou que nun cunució de fronteiras.
Un mesmo sentire, un carbatsu fendiu que se vuelve unire.
Armonia ya guapura, pa curare.

Deixo aqui la lletra del sou cantar:

Tsuceru de la mañana
Tsuceritu de la tarde
Atsuma abondu el camín
por unde vaiga el miu mante.

Pur que toy contenta cantu
Cantu ya  tocu el pandeiru
pa que baitseis sin parare
ya que pongais muito xeitu.

Paxarinu vulandeiru
que nel picu tsevas filu
deixamelu pa cusere
el miu corazón feriu.



Estas mulheres que tam bem cantam, som tsacianiegas.
Gosto muito do seu jeito.
As letras das suas cançons populares, som umha fonte de sensaçons moldadas em palabras.
Ao escoitá-las, estou sentindo algo que vai mais alô...
Umha continuidade do tou-porrou-tou que nom soubo de fronteiras.
Um mesmo sentir, um carvalho fendido que se volve unir.
Harmonia e beleza, para curar.

Deixo aqui a letra do seu cantar:
(Em ortografia galega)

Chuzero de la manhana
Chuzerito de la tarde
achuma avondu el camim
por onde vaiga el mio mante

Por que toi contenta canto
Canto ia  toco el pandeiro
pa que baicheis sem parare
ia que pongais muito jeito

Paxarino volandeiro
que nel pico chevas filo
deixa-me-lo pa cosere
el mio coraçom ferio.

Traduzido:

Luzeiro da manhã
Luzeirinho da tarde
Aluma avondo o caminho
por onde vá o meu amante

Por que estou contente canto
Canto e toco o pandeiro
Pra que bailedes sem parar
E que ponhades muito jeito

Paxarinho voandeiro
que no bico levas fio
Deixa-mo para coser
o meu coraçom ferido.

As venças

Umha vaquinha nova, destas curtas e repoludas, anda moi ligeira entre as outras ghurrando por mandar."Quere colher as venças das velhas".
E
 nom hai dia que nom leem, que nom haja lea entre elas.






A hierarquia abala, e já quase é um todos e todas contra todas e todos, como aqueles rebúmbios de fútebol, onde havia um só porteiro, que tirava a bola de costas, e cada um jogava para si, amarrando todo o tempo, sem passá-la....

Colher as venças!

Cândio


Os pinheiros conforme vam medrando, as suas ponlas secam.
Essa ponla seca é um cândio.
Não a vejo por nengum dicionário.
Si cando, mas nom como ponla, senom como tronco velho e seco, que para o caso...
O neno das pinas, Castelao.
(http://www.museo.depo.es/img/all/fotos/99000104.01.jpg)

Noutro tempo quando havia famílias, nenos que andavam às pinas e aos cândios,  agatunhando polos pinheiros arriba...
Cantavam.
- Canta neno!
- E logo por quê?, minha nai.
- Assi sei por onde andas, e que estás bem.